12.04.2010

Lições geladas sobre diplomacia
















O local no mapa indicado pela cabeça do Jaspion é a provável localização do país-foco da nossa conversa de hoje, caro colega.

A Suíça - também conhecida como Confederatio Helvetica pelos mais chegadinhos, foi sempre destaque por causa da sua posição geográfica de alto-risco. Localizada em um buraco entre a França (local conhecido pela estranha preferência gastronômica e sexual de seus habitantes), a Alemanha ("o país mais loko do mundo" segundo Heidegger) e a Itália (local de onde saiu a matéria-prima de boa parte da reigão sul do Brasil), a Suíça acabou tendo sua atenção muitas vezes desviada por causa do mau-comportamento dos seus vizinhos.

Infelizmente, o que chega a nós, até hoje, é a fama dos chocolates suíços, ou do queijo suíço, ou das almôndegas suecas. O mundo desconhece fatos muito mais interessantes sobre esse singelo país.

Há uma expressão muito valiosa no vocabulário dos sábios: o comportamento suíço. Tomando como premissa a tal localização geográfica nada louvável deste país, era de se esperar que sua política se baseasse fortemente no significado fonético do seu gentílico em inglês: "Swiss" (captado pelos microfones e pelos escritores de quadrinhos japoneses como o barulho feito ao se esquivar por uma passagem estreita ou por escapar por uma rampa de neve usando um par de esquis... suíços).

Sim. A Suíça é mais fenomenalmente conhecida pela sua tão louvável neutralidade! Não foi uma só vez que seus vizinhos se meteram em encrencas envolvendo armamento pesado e trincheiras e o nosso heróico país simplesmente ergueu as duas mãos e exclamou "não, não olhem pra mim, eu pago as minhas contas todas em dia".

Fato curioso: tal comportamento assíduo gera uma inegável fama de "bonachão". Foi em meados de 2007 que o exército Suíço ("esses caras trabalham tanto quanto a aeronáutica suíça") invadiu, devido às péssimas condições meteorológicas, um país vizinho chamado Liechtenstein.Invadiu no sentido de andar por aí livremente, sabe? Mas foi sem querer, e o exército logo tratou de picar a mula de lá - isso iria fatalmente contra todas as laudas do comportamento suíço.

O que Liechtenstein fez? "Ah, eu conheço vocês, seus suíços! Espero que tenham curtido a visita!"

Fato mais curioso ainda: Liechtenstein é famoso por ser o país mais promissor na filatelia - ou o ato de colecionar selos. Tal característica é um ponto a favor na hora de classificar Liechtenstein não como um país europeu, mas sim como um município do Rio Grande do Sul, tanto por causa do número de habitantes e clima, mas como também pelo fato de cada cidade lá ser "capital de alguma coisa" (Ijuí é a capital da cultura e Erechim é a capital da amizade - origens obscuras para ambos os exemplos).

Voltando ao assunto, Suíça. O tal comportamento suíço equipara-se ao fenômeno antropológico do "jeitinho brasileiro". Este, num significado abrangente, refere-se à forma que o brasileiro encontrou de abstrair em saideiras de sexta o aumento de 180% no preço da gasolina e de alguns meses depois comemorar bravamente quedas de 15% no mesmo preço. É também o padrão genérico comportamental que leva o brasileiro a escolher, via método reflexivo, seus candidatos à cargos públicos de suma importância.

Da mesma forma, o comportamento suíço faz com que os adeptos a esse estilo de vida desenvolvam um natural talento para a diplomacia e, com o perdão da analogia, também uma vocação para "saídas à francesa" de sucesso. ter um caráter suíço significa, concluindo, estar em cima do muro - e de muros bem finos.

Foi após muito estudo e pesquisa de campo que eu descobri o melhor exemplo de comportamento suíço ainda presente na nossa vida atual:
















O sorvete napolitano

Sim, jovem (ou não) leitor (ou não). O sorvete napolitano tem suas nebulosas origens na Suíça. Tal conhecimento foi conferido a mim quando tive acesso às lendas e canções folclóricas da "Velha Confederação Suíça" - ou a primeira configuração aceitável que esse país teve no mundo. Por volta de 1290, as colônias e feudos que ocupavam aquele lugar decidiram redigir uma carta anunciando a então formação da confederação.

E dizem que aí surgiu o problema: a repercussão da notícia não foi nada bonita. De um lado a Alemanha - antes mesmo de se tornar o Império Prussiano os caras lá não eram fáceis - ficaram de birra. A França... melhor não comentarmos sobre sua reação (que foi convertida em faniquitos que até hoje são motivo de piada na Inglaterra). E lidar com o gênio italiano já era difícil mesmo quando ainda não existia Suíça alguma.

Porém, graças a uma coincidência fabulosa do destino, um rico mercador chamado Marco Polo retornaria da China alguns anos depois trazendo consigo várias novidades: o relógio de pulso, aquecedor de água (vulgo rabo-quente),a tecnoologia do bluethooth e também um prato peculiar feito com raspas de gelo e suco: o ancestral do sorvete.

Dizem as poesias profanas que um político Suíço chamado Friedrich Sensatlz ficou sabendo da novidade via twitter:







Decidiu então telefonar para seu amigo. É interessante como podemos notar o espírito do comportamento suíço analisando a conversa deles:

Marco Polo: Alô?
Friedrich:Alô, é da casa do Marco?
MP: Sim, é ele falando.
F: Marco Polo, minhas congratulações. Foi com muito louvor que ouvi falar de suas viagens e agora estou aqui utilizando este dispositivo de comunicação à distância para lhe parabenizar pelos seus esforços.
MP: Poxa, valeu...
F: Você é um cara muito foda.
MP: Uau.
F: Eu tenho grande admiração por você, já criei uma comunidade no orkut chamada "amigos do Marco Polo" e já somos em mais de 80 pessoas.
MP: Que interessante!
F: Gosto muito de você, Marco Polo.
MP: Mesmo eu tendo bafo?
F: Bafo não significa nada para um homem com feitos como os seus. É um handicap da natureza, e isso naõ muda em nada o que eu penso sobre você.
MP: Conversaria comigo de boa?
F: Sim, me convide para ir aí na sua casa tomar algo refrescante.
MP: É nóis que voa então.
F: Certamente, um vôo magnífico que rasgará os céus e fará com que nossas almas atingam a estratosfera juntas, de mãos dadas--

A partir daí os registros param bruscamente.

O fato é que Friedrich viajou até a casa de Marco Polo,que lhe serviu da então mistura. Friedrich, maravilhado, levou uma boa porção dela consigo para casa. Levou também algumas notas de vinte reais do bolso do casaco de Marco Polo, otário.

Friedrich pretendia transformar aquela mistura em um presente que traria paz para seu povo. Conforme o refrão da música, Friedrich contratou um cozinheiro que teve a genial ideia de enfiar tudo num pote e colorir com três cores diferentes. Cada porção do doce seria dedicada, portanto, à um país: o chocolate seria aos alemães, o morango aos franceses (hihihi) e o creme aos italianos. Óbvio que os italianos chatos "não quiseram ficar com a parte mais chata e sem cor", e por isso Friedrich, em uma sacada genial, batizou a mistura de "sorvete napolitano", em homenagem à cidade de Nápoles, na Itália.

Hoje, o sorvete napolitano continua sendo o favorito daqueles que são enviados pelo grupo ao mercadinho para comprar sorvete. Eles sabem que dentro daquele pote está a essência do comportamento suíço. Qualquer briga será suprimida pelo fato de haver três sabores a serem escolhidos - e não apenas um. Por isso, o jovem que compra sorvete para todos os amigos sabe que é melhor deixar de escolher o de flocos (que é o melhor sabor, disparado), e escolhe o napolitano, que é a garantia de que sua cabeça continuará acima do pescoço.

Fato curioso: estatísticas apontam que a porção de creme é sempre a que sobra no final do pote, mesmo na itália.

Depois de uma década sem postar nada, eis que o seu querido aspirante-a-escritor-de-alguma-coisa-que-preste surge de novo. Não vou me delongar com novidades e coisas do tipo. Prefiro apenas deixar isso por aqui e cair fora.


Um abraço!

7.21.2010

Pausa para o café: "O Ovo"


Você estava voltando para casa quando morreu.


Acidente de carro. Nada muito incrível, mas, infelizmente, uma fatalidade. Você deixou para trás uma esposa e duas crianças. Foi uma morte sem dor. A equipe de resgate até tentou lhe salvar, sério, mas seu corpo estava tão despedaçado que foi melhor você ter morrido mesmo, acredite.

E foi então que você me encontrou.

"O que... o que aconteceu?" Você perguntou. "Onde estou?"

"Você morreu", respondi. Direto ao ponto, sem meias palavras ou eufemismos inúteis.

"Havia... um caminhão e o meu carro derrapou e..."

"Aham" disse eu, concordando.

"Eu... eu morri mesmo?"

"Sim, mas não se sinta mal por isso. Tipo, todo mundo morre."

Você olhou em volta. Não havia nada, um vazio total. Apenas você e eu.

"O que é esse lugar", você perguntou. "Isso é a vida após a morte?"

"Mais ou menos."

"Você é Deus?"

"Sim", respondi, "eu sou Deus."

"Minha esposa... meus filhos..." dizia você.

"O que tem eles?"

"Eles ficarão bem?"

"Isso, é assim que eu gosto!" respondi. "Você acaba de morrer e sua principal preocupação é com a sua família. Parece que o material aqui é dos bons hein!"

E você, fascinado, olhou para mim. Para você, eu não correspondia à imagem de "Deus". Eu parecia apenas um homem qualquer, ou mulher, possivelmente. Até com um certo ar de autoridade, talvez. Mais para uma professora de gramática do ensino fundamental do seu antigo colégio do que o todo poderoso.

"Não se preocupe", eu disse. "Eles ficarão bem. Seus filhos lembrarão de você como sendo perfeito de todas as maneiras - você morreu antes que eles começassem a criar rancores. Sua esposa irá chorar por fora, mas por dentro, bem por dentro, ela se sentirá aliviada. Pra ser sincero, seu casamento já estava começando a decair. Olha, se serve de consolo, ela vai se se culpar muito por se sentir aliavada dessa forma."

"Oh..." você disse. "E o que acontece agora? Eu vou pro céu, inferno ou algo do tipo?"

"Nem um, nem outro" eu disse. "Você vai reencarnar".

"Ah. Então quer dizer que os hindus estavam certos..."

"Todas as religiões estão certas - cada uma à sua maneira" eu disse. "Agora, venha comigo".

Você começou a caminhar junto comigo através do vazio. "Para onde estamos indo?"

"Pra nenhum lugar em particular." respondi. "É legal caminhar enquanto conversa."

"E então, como vai ser agora?" você perguntou. "Quando eu renascer, serei tipo uma folha em branco, certo? Um bebê. Ou seja, tudo o que eu fiz nessa vida não vai importar, eu vou esquecer de tudo?"

"Não, claro que não!" eu disse. "Você carrega consigo toda a experiência e aprendizado das suas vidas passadas. Você só não está lembrando delas agora."

Parei de caminhar e peguei nos seus ombros. "A sua alma é mais gigantesca, bonita e magnífica doq ue você jamais conseguiria imaginar. A mente humana consegue conter apenas uma pequena fração do que você de fato é. É como afundar seu dedo em um copo d'água para provar se está quente ou fria. Você coloca uma pequena parte de você mesmo em um recepiente e, quando retira-a, traz consigo toda a experiência que conseguiu acumular.

"Você esteve em um corpo humano durante os últimos 48 anos, é normal que ainda não tenha conseguido se desapegar dele e, portanto, também ainda não tenha conseguido sentir toda a imensidão de sua consciência. Se continuarmos por aqui por mais tempo, você vai começar a se lembrar de tudo. Mas, na verdade, não há sentido em fazer isso entre cada vida sua."

"Então... quantas vezes eu já reencarnei?" você perguntou.

"Oh, várias. Muitas e muitas vezes. E em várias vidas diferentes." respondi. "Dessa vez você reencarnará como uma jovem camponesa chinesa no ano de 540 A.C."

"O que, hein? Espera!" você exclamou. "Quer dizer que você vai me mandar de volta no tempo?"

"Bem, tecnicamente. O tempo, da forma como você o conhece, só existe no seu universo. As coisas são um pouco diferentes do lugar que eu vim."

"E de onde você veio?" você perguntou, de imediato.

"Oh claro." expliquei. "Eu vim de algum lugar. Algum... outro lugar. E lá existem outros como eu. Eu sei que você deve estar querendo saber como é lá, mas tenho quase certeza que você não vai entender."

Abaixando a cabeça, você ficou em silêncio por alguns momentos, e então exclamou: "espere, espere um pouco. Se eu reencarno e outros lugares no tempo, eu já posso ter interagido comigo mesmo em algum ponto."

"Mas é claro, acontece todo tempo. E como ambas as vidas têm consciência apenas do próprio ciclo, elas nem ao menos ficam sabendo quando isso acontece."

"Então qual é o sentido disso tudo?"

"Haha, sério?" indaguei. "Sério mesmo? Você está me perguntando qual é o sentido da vida? Isso não é um tanto clichê?"

"Oras, é uma boa hora pra perguntar, não?" você persistiu.

Eu olhei para os seus olhos. "O sentido da vida, o motivo pelo qual eu criei isso tudo, o universo e todas as coisas, é para que você amadureça."

"Você quer dizer a humanidade? Você quer que nós amadureçamos?"

"Não. Só você. Eu fiz todo o universo só pra você. Com cada vida nova você cresce, evolui e sua consciência aumenta cada vez mais."

"... só... eu? E todo o resto?"

"Não há 'resto'. Nesse universo, há apenas você e eu." respondi, calmamente.

Você me olhou, paralizado. "Mas e todas as pessoas na Terra..."

"Você. Diferentes incarnações de você, todas elas."

"Eu sou todo mundo?"

"Ahá, bingo!" exclamei, dando-lhe um tapa nas costas.

"Eu sou todo ser humano que já viveu?"

"E que ainda viverá, sim."

"Eu sou Abraham Lincoln?"

"Sim, você é todos os presidentes dos Estados Unidos também." complementei.

"Eu sou Hitler?" você perguntou, assustado.

"E todos os milhões que ele matou." respondi.

"Eu sou Jesus Cristo?"

"E todos os seus seguidores."

E você calou-se.

"Toda vez que você fez alguma vítima", comecei a falar, "você estava vitimando a si mesmo. Toda vez que você amou alguém, estava amando a si mesmo. Cada ato de bondade que você tinha para com alguém, você estava tendo-o para consigo mesmo também. Todo e qualquer momento feliz ou triste vivido por todo ser humano foi ou será vivido, ao mesmo tempo, por você."

Nos momentos que se seguiram você ficou pensando profundamente nas minhas últimas palavras.

"Por quê?" você perguntou, finalmente. "Por quê tudo isso?"

"Porque um dia você será como eu. É isso que você realmente é. Você é um da minha espécie - você é meu filho."

"Whow" você exclamou, incrédulo. "Eu sou um Deus?"

"Não, ainda não. Você é um feto. Você ainda está crescendo. Assim que tiver vivido toda forma de vida humana possível, você terá crescido o suficiente para nascer."

"Então todo o universo..." você comecou a dizer, "é apenas..."

"Um ovo" completei. "Agora vá, está na hora de você iniciar sua próxima vida."

E eu o enviei para seu caminho.

Autor: Andy Weir

Olá, pessoas. Após muito tempo sem postar, acabo me deparando com esse texto. Decidi traduzi-lo e postá-lo aqui no meu blog, pois é o texto mais bonito que eu já li sobre religiosidade.

Confesso que o encontrei não faz muito tempo, e ele realmente me fez pensar. Coincidência ou não, ele "caiu" em um momento muito oportuno. Apresentei, semana passada, no Encontro Nacional de Estudantes de Design (NDesign 2010), uma "mini-palestra" entitulada "Realidade: um palpite coletivo", que tinha como objetivo promover uma discussão sobre o que, de fato, é essa nossa realidade bizarra. Brincar um pouco com o fantástico, fazer as pessoas perguntarem-se no quê realmente acreditam, no que é verdade, no que é real e no que não é.

O resultado disso, pelo menos pra mim, não poderia ter sido melhor. Vi pessoas tendo idéias, contestando fatos, sendo seus próprios gurus espirituais.

Esse é o preceito da nossa era. Somos nossos próprios deuses, somos nossa própria realidade, somos esse momento, essa fração de segundo.

Enfim, o blog voltará com sua atividade normal em breve. Para os que se interessaram pelo texto, o original segue no link: http://tinyurl.com/34zmut8

4.28.2010

As moscas de Humberto - 2

Humberto, agora homeless, foi pro bar.

HUMBERTO NO BAR

- Oi Humberto!
- Oi.
- O que você quer.
- Cerveja.
- Qual cerveja.
- Aquela que ehguuu - Humbert não conseguiu terminar a frase. Estava entrando naquele momento que os humanos do século XXI batizaram de "caiu a ficha". Sentiu seus pés se afastando no chão e largando todo o peso do seu corpo sujo e peludo nos cotovelos apoiados no balcão. Viu, lá longe, sua ex-mulher só de camisola, dando tchau. Depois viu seu cachorro falecido Frederico enterrando um osso. Sentiu o mijo e as lágrimas escorrendo quando viu também aquele episódio de Tom & Jerry no qual Tom é tratado como um bebêzinho e sofre trollagens violentas de seus amigos. Começou a chorar feito uma maricona quando lembrou do suquinho de beterraba que sua mãe fazia.

- Está tudo bem, Humberto? - perguntou o barman enquanto secava um copo. Um pinguço que estava dormindo escorado no balcão também acordou com a choradeira.

- Bem o caralho... abandonei... abandonei minha mulher em casa.
- Oh céus.
- Mijei por todo o jardim.
- Oh céus.
- Mostrei o... o dedo do meio pra ela e fui embora, velhos. - Humberto bateu com a testa no balcão e ficou ali chorando. O mendigo escroto que estava ali do lado caminhou até Humbert e o abraçou por cima do ombro. Quase roçando a barba na orelha dele, sussurrou algumas palavras de sabedoria:
- Humberto... - dizia ele - levante-se. Faça o sonho da nossa geração se tornar realidade.

Com os olhos vermelhos, Humberto ergueu a cabeça e fitou por alguns segundos a figura bizarra que lhe amparava naquele momento.
- Quem... é você?
- Não importa quem eu sou, Humberto. Não importa que somos nós, importa apenas o momento que estamos vivendo, nos sómos e não somos ao mesmo tempo, Humberto! - e interrompeu a fala para soltar um sonoro arroto.
- Como sabe o meu nome, cara? Do que você está falando?
- Você vai descobrir, betinho. Apenas lembre-se dessa palavra: "jojoca".
- Jojoca... jojoca... - disse Humberto, baixinho, para si mesmo. O mendigo virou-se de costas, jogando sua longa capa por cima do ombro, correu até a janela e se atirou para fora do bar, estilhaçando todo o vidro e muito provavelmente quebrando um dos braços.

Alguns segundos de epifania passaram-se pela cabeça de Humbert. Sentiu o couro dos sapatos que usava, sentiu o peso de seu casaco sobre seus ombros, sentiu cada fio de cabelo crescendo: teve uma overdose de sensações, um overload de coisas escrotas, um jogo dos mil erros, uma catarse múltipla de sonhos, pesadelos, sonhos eróticos e pesadelos eróticos. Mal conseguia raciocinar.

- E então, Humbert, qual cerveja você vai querer?
- Eu quero...
- Hmmm?
- Eu... quero...
- ... quer...??
- Eu quero que você se foda.
- O que, como o que foi que você disse meu rapaz eu não acredito que você mandou eu me foder eu não creio que você falou esse absurdo esse palavrão Beto eu não acredito venha cá pra esse lado do balcão pra gente resolver isso agora venha meu querido venha cá.

Mas Humbert não foi. Parecendo hipnotizado, levantou-se do balcão, agarrou sua mala e foi embora, sem dizer mais uma palavra sequer.

HUMBERTO NO LABORATÓRIO

Tomado por uma convicção que sabe Deus de onde saiu, Humbert foi até o clube maneiro de pessoas inteligentes do qual era associado. Era quase onze horas da noite, a única pessoa que ainda deveria estar lá na sede era o bibliotecário, Hamilton.

Hamilton, um jovem entusiasta de 22 anos, adorava pássaros, bicos, penas, minhocas e tudo que pudesse ser relacionado a pássaros - menos ovos, ele odiava ovos. Estava debruçado sobre seu volume de "O Inferno de Dante" quando foi supreendido pelo que parecia ter sido uma explosão vinda da porta de entrada.

"Caralho voador", pensou, enquanto correu pelas escadarias até topar com Humbert, que havia aberto a porta no chute.

- Hu... Humberto? O que você está fazendo aqui?
- Jojoca.
- Hein?

Silêncio. Humberto tentou enforcar Hamilton algumas vezes nos momentso que se seguiram, sem sucesso. O rapazinho era ágil.

- O que há de errado com você, Humbert?
- Deixe-me usar o laboratório.
- Tá... vai, toma aqui a chave. Era só pedir, troglodita.
- Ah tá tá, vá a merda.
- Cara, eu nunca te vi assim.
- Não se sinta especial por isso.

Humberto tomou a chave das mãos de Hamilton e seguiu em direção ao subsolo, deixando os olhos do jovem a fitar o nada. Apesar dos momentos de estranheza, Hamilton sentiu seu coração voltando à frequência normal de batimentos. O que tinha acabado de acontecer iria ficar em sua memória para sempre, trancado às sete chaves, assim como aquela vez em que era ainda um pimpolho e viu seu amiguinho Christian encher de porrada um imigrante chinês, e depois de duas semanas viu o mesmo chinês andando nu na rua, e um mês depois ele encontrou na cueca um bichinho engraçadinho que até hoje mantém em uma gaiola na casa da sua mãe, mas daqui a alguns anos teremos outro post nesse blog pra falar só dessa história.

Continua...

Programa de Auditório do Charles "Frutinha" Simpson

- Olá, amigos e amigas do auditório! Que lindo estar aqui! Que massa é estar aqui com vocês de novo, que bacana poder ver todo mundo sorrindo... menos aquela senhora lá, o que houve com ela... ah, é da produção? Haha, a senhora devia tomar um pouco de toddynho minha senhora! Hahah!

(Risos do resto do auditório, a senhora em questão continua seríssima)

- Hehe... bem, é claro também, agradecendo a você, telespectador, que deve estar ansioso para saber da nossa programação de hoje, não é mesmo, pessoal?

(Auditório responde com um "sim")

- Então vamos lá, o que vai ter hoje no programa, Lombardi? (eu juro que tentei pensar em um nome diferente pra um locutor random qualquer, mas sério, desculpa pessoal, não dá.)

- É isso aí, Charles! Hoje você confere a incrível história do rapaz de dezessete anos que tem a infame profissão de avestruz de treino: ele corre das boleadeiras e facões dos jovens gaúchos dos pampas argentinos que tentam capturá-lo como treinamento.

- Que perigo!

- Éééé! E também, o milagre acontece em Salvador na Bahia: a senhora dona de casa e frequentadora assídua do "Casos de Família" que "morre" pela terceira vez e consegue sair do túmulo e chegar até em casa no mesmo dia. O Genro diz que não sabe mais o que fazer!

- Tem que ver isso aí!

- Tem sim, tem sim! E mais: uns caçam, outros plantam, outros pescam e ainda tem que diz fazer tudo isso de um jeito muito mais sustentável! A magnífica história do senhor de oitenta e seis anos do Rio Grande do Sul que possui uma plantação de bacon no quintal de casa. Ele diz que planta também coxa, sobrecoxa, coxão de asa, filé mignon e soja, é mole?

- Isso é o que você pensa!

- Heheeeexatamente, Charles! Ainda no mesmo bloco, o adestrador de cachorros diz ser, na verdade, a reencarnação de Pelé, o maior jogador de futebol do Brasil - mesmo sem Pelé ter morrido ainda! Como pode uma coisa dessas, Charles?

- Estamos trabalhando nisso!

- Mas que coisa! E, por fim, a bizarra história de Fulguration, o homem que abriu sozinho uma empresa de picles em conserva. Ele planta, colhe, faz os potes de vidro direto da areia, imprime os rótulos na garagem de casa, faz as tampas usando madeira e um facão e vende as conservas pelo site que ele mesmo fez. Depois ele compra tudo e come os picles, caga todos e trata do próprio esgoto. Um exemplo de multifuncionalidade em apenas um homem.

- Isso sim é de cair o cu da bunda!

- Éé, tem que ver isso aí! E mais: a máfia do esterco chinês! Grandes latifundiários chineses escravizam humanos e os mantém prisioneiros com apenas uma finalidade: produzir o esterco que servirá de adubo para suas plantações. Milhares de pessoas desaparecidas estão, na verdade, envolvidas com essa literalmente suja rede de tráfico de esterco.

- Que incrível, Lombradi! Mas chega de spoiler. Vamos aos nossos comerciais e logo voltaremos. Até já!

(Aqui o apresentador faz um gesto com a mão semelhante à lingua de um sapo projetando-se em alta velocidade para fora de sua boca a fim de capturar algum inseto. O auditório levanta de pé - todos, menos a senhora séria da produção - e bate palmas no ritmo da música, que é uma lambada mui caliente.)

3.23.2010

As moscas de Humberto

Lá: lá no meio da fila gigantesca da barraquinha de sorvetes do McDonalds, alguém estufa o peito com oxigênio e fumaça dos carros e grita, bem alto, quase chorando: Foi-se a época do fixismo.

Já dizia o meu avô, apontando o dedo da mão esquerda pra cima e com a direita segurando a espingarda de dois canos abraçada ao corpo, que Deus via e ouvia tudo, mas que "duvido que teve saco pra fazer tudo isso sozinho". As plantinhas, as nervuras das folhas, os "caguméli": não existe bico de pena fino o suficiente pra desenhar essas coisas. Ah, o meu avô. Seu ditado favorito era "devagar e sempre". Morreu com 82 anos, atropelado por um ônibus.

Foi se a época do fixismo, e todos sabem o culpado disso. Charles Darwin, coitado, quando indagado sobre a complexidade do globo ocular, alegou fortes dores de cabeça e saiu carregado em uma maca pela quinta vez. A galera da Gazeta costuma ser bem pentelha mesmo nessas entrevistas coletivas. Nosso herói, criador (palavra a partir de então menos pronunciada) da teoria do evolucionismo certamente não sabia da dor de cabeça que teria que enfrentar. E os anjos? E o demônio? E a ambrosia?

Hoje pode-se dizer que existem três "correntes": o fixismo, cuja época foi-se, o evolucionismo, cujo criador demorou 30 anos pra anunciá-la (bem mais do que os 7 dias que levou seu concorrente) e o criacionismo. Fazendo um comparativo, pode-se dizer que o fixismo é crer que até os fósseis foram criados por Deus e estão lá pra testar a fé da galera. É acreditar no "faça-se a luz" e no homem bravamente saltando pra fora do barro.

O evolucionismo, pelo contrário, é acreditar no macaco aprendendo a soletrar a palavra "banana". Digamos que "Deus" vira um conceito tão abstrato quanto "Adão e Eva" e é substituído pelo mero acaso - que é defendido, veja só, pelo pescoço das girafas, a prova mais linda de que não há um design inteligente por trás de um pescoço aparentemente inútil se não fosse a necessidade de comer as árvores a partir da copa delas.

Se o fixismo (cuja época já se foi) é o contrário do evolucionismo, então o que e o criacionismo? É o que a Igreja defende e muita gente não sabe: ok, lá vem o macaco andando num monociclo até evoluir e chegar a algo parecido com homem. Antes da academia levantar e aplaudir, no entanto, as nuvens abrem-se no céu e o "sopro divino", o "milagre" ou o "monolito negro" surge e injeta nesse ser evoluído aquilo que carinhosamente apelidamos de alma. O criacionismo é, portanto, crer que por trás de uma evolução física há uma intervenção metafísica que nos tornou seres humanos.

Lindo, não? Mas vamos esquecer tudo isso por enquanto (o fixismo pode ser esquecido para sempre, já que sua época foi-se) e manter nosso foco na parte cômica da coisa: o surgimento da teoria do evolucionismo atiçou os neurônios de muita gente. Uma galera começou a fazer pesquisas no fundo do quintal. Quem tinha uma pontinha de descrença e rancor medieval não tardou a comprar seus tubos de ensaio e exemplares da Origem e começar suas próprias pesquisas.

Em 1910, por exemplo, um homem chamado Morgan, na Inglaterra, decidiu pesquisar sobre as moscas. Iniciativa nobre, pesquisar sobre um animal que curte merda mas que poderia ajudar a desvendar os mistérios da genética. Suas conclusões contribuíram para o avanço da genética atual e inspiraram uma outra figura sobre a qual falaremos aqui: Humbert Von Werwer.

Por volta dos anos 30, esse aventureiro do insólito mundo da ciência teve uma idéia massa. Ela era basicamente algo como: a evolução foi ocasionada pela radiação emitida pelo sol. Se eu expor alguma coisa à radiação ilimitada, essa coisa vai acelerar seu processo evolutivo. Simples, fácil, e, pra época, barato.

Humberto escreveu isso em seu blog e logo recebeu milhares de comentários maldosos dos membros da comunidade científica que assinavam seu feed. "@Humberto Mexa com radiação pra ver teus dedos caindo um por um depois de alguns anos, babaca" postou Marie Currie no Twitter, do seu laptop, na cama do hospital.

Não cedendo aos que iam contra a maré dos seus argumentos, Humbert deu início ao que ele chamou de "Experiência Mosca". Tão auto-explicativo quanto bizarrinho, o experimento consistia exatamente nisso: expor moscas à radiação gama intensiva até que "evoluissem" para o estágio máximo de seus corpos. Em breve Humbert teria moscas gigantes de seis asas e capazes de entender "Os Lusíadas" em sua garagem. Idéia digna de um fanático por Pokémons talvez, não de alguém que pretende honrar os estudos do velho Darwin, eu diria. ÓBVIO que uma merda dessas daria errado, Humberto certamente morreria. Infelizmente não há registros de tal experimento. Ao contrário das façanhas de Morgan, Humbert permaneceu anônimo por que, de fato, ninguém sabe o que aconteceu com ele ou suas moscas.

Por isso, após o sucesso (ou não) da saga de Venceslau, o Pirata que não tinha Perna, começa agora mais uma incrível odisséia desse blog tão educativo:

As Moscas de Humbert

Humbert pegou uma marreta e saiu correndo atrás de seu amigo, o jovem Jules. Este, por ser rápido como uma bala quando em perigo, saltou a janela de um dos quartos da casa de seu amigo e atravessou o jardim, pelado. Humbert, bufando, arrombou a porta e correu em direção a ele, golpeando o objeto pelo ar e acertando, sem querer, a torneira de casa e a miniatura de estátua da liberdade que mantinha no jardim.

Jules conseguiu pular a cerca e dirigiu-se para a esquina, que naquela enevoada noite, poderia ser a rota de fuga do seu crime. Humbert desestiu da perseguição após vê-lo pular a cerca. Voltou para dentro de casa, sentou no sofá e apoiou a cabeça na mão, respirando pesado.
Tomou coragem e foi até o quarto. Sua esposa, Suélem (lol) ainda estava encolhida na cama.

- Tu não me ama mais? - perguntou ela, choramingando.
- Nunca amei.
- Mentira.
- É sério. Sai da minha casa.
- Mas não tenho outro lugar.
- Eu tenho vários outros.
- Sai tu de casa então.
- Talvez. Tu não me ama mais?
- Amo! Amo como nunca amei outro homem, Humbert. Você é único pra mim, eu não saberia viver sem você.
- Então to vazando, falous.

Abriu as portas do guarda-roupa, meteu tudo numa maleta e saiu de novo pela porta arrombada.

- Volte, Humbert! - exclamou Suélem, lá de dentro. Contudo, Humbert nunca foi muito de pensar nas coisas. Ele queria ser bom em algo, começou a estudar biologia sozinho em casa e depois se associou num desses clubes maneiros de gente intelectual. Ficava até tarde da noite com os novos amigos discutindo história, biologia, sociologia e filosofia. Naquela noite, foi o mesmo. Todos os seus amigos estavam lá, menos Jules. Decidiu voltar pra casa mais cedo pra desentupir a calha, e o pegou na cama com a esposa.

- Volto sim. - falou só pra ser sacana, tirou o pinto pra fora e mijou nas calçadas.

Continua...

A faculdade está mortífera, sério. Eu consegui me meter em uma penca de matérias, mais o Centro Acadêmico e lá vai o famigerado Curso de Alemão comer mais pedaços do meu fígado. Eu queria postar mais coisas, ando lendo muita estranheza. Depois de "O Despertar dos Mágicos", comecei outro livro dos mesmos autores entitulado "O Homem Eterno" e ele é tão impressionante quanto. Meu objetivo é transformar essa história do Humbert em algo insólito e mais curto do que aquele porre que foi o Venceslau.

Bem, outro dia eu estava voltando da faculdade e decidir "anotar" os pensamentos aleatórios que passavam pela minha cabeça no intervalo de tempo de 6 ou 7 minutos que eu levo para chegar da Reitoria até a Casa do Estudante. O resultado é algo mais ou menos assim:

"Caralho de reunião demorada, que fome, sério que fome. Chegar em casa e... tem pão, tem queijo e meu deus, que bunda! Sinal vermelho, lá vem carro, espera, espera, ela tá se afastando mas a bunda continua grande uheuehegf queijo, requeijão... queijo e requeijão são palavras parecidas, deve ter gente que acha que requeijão é feito de queijo, que fedor, não gosto de carros, sinal verde. Ela tá olhando pra mim hihihi é bonita, mas tem um troço bizarro no canto da boca. Tem bunda também. Aussteiger. Como se escreve? Assteiger, Austeiger, é com dois "esses", pronuncia "aushtaiga", significa "desembarcado" mas é um termo com duplo sentido por que denota alguém, cara se eu tivesse um bastão de beisebol eu saia na rua de noite pra bater em gente que picha os muros. Que fome. Tenho que chegar em casa e passar a limpo a ficha de inscrição, antes vou tomar banho, caralho, vou dormir as 3 da manhã de novo? Aussteiger. Parece alcunha, "das Austeiger"... não, é "der Austeiger" por que é masculino, ficaria "Austeigerin" se fosse feminino, maldito alemão, nossa, que bonita, hoje tô com sorte por que ta olhando pra mim fgaheuaege passou, que olho bonito, carregava um bolsa que aprecia pesada, acho que se ficasse vesga com aquele olho ainda assim ficaria bonita... não. Não. Poderia chegar perguntando "e aí, loucura ou só amizade" pra ela, nunca mais a verei de novo mesmo. Aussteiger. Aaaah a CEU, cheguei, tem maloqueiro na entrada, devem ser os mesmos que pixam e, nossa, isso daria uma história massa pra colocar no blog, a polícia percebe o instantâneo interromper das pixações e começa a procurar o responsável - um velhinho de cento e dois anos que sai de noite com um bastão de beisebol..."

Que eu lembro é isso.

3.03.2010

Tibério, fotógrafo de aves e colecionador de chapéus

A chamada "ararinha-azul" é um dos pássaros mais raros do mundo. Graças ao espírito empreendedor de algumas pessoas que insistiram em capturar e vender ilegalmente exemplares de sua espécie na década de oitenta, hoje podemos chutar que existe um punhadinho de cerca de cinquenta ararinhas-azuis catando minhocas por aí. Triste, não?

Mas não nos culpemos ainda. O exemplo do peixe-leão é um pouco mais sádico: ao contrário da extinção, a atividade humana provocou uma explosão na população desse bichinho. Isso é bom? Claro que não. A praga é tão venenosa que apenas encostar em suas barbatanas é motivo para faltar aula por duas semanas. Graças à brilhante idéia de uma centena de bobalhões que possuiam o peixe em casa, agora o oceano Atlântico está infestado desses animais bizarros. Tal crescimento exagerado de sua população se deu por que as pessoas que tinham espécimes do peixe em casa acabavam devolvendo-no ao mar. Como ele não tem predador natural, aconteceu a mesma coisa que aconteceu quando o homem decidiu tomar conta de tudo.

Tá bom, tá bom. Alguns casos de calamidade ecológica não foram nossa culpa. O tigre-dente-de-sabre, coitado, foi extinto por que tinha pernas curtas demais e não conseguia correr rápido o suficiente para alcançar suas presas. Digno de pena, mas não deixa de ser engraçado. Um felino gigante com dentões medonhos virado de barriga pra cima agitando as perninhas é uma cena bem pitoresca, convenhamos.

Seria justo dar uma manipulada nesses fenótipos. Quero dizer, deixar a ararinha-azul com pernas curtas demais e o tigre-dente-de-sabre com pernas de um tamanho bom (e uma corzinha azul pra ficar tri massa). Talvez assim ambas as espécies estariam vivas hoje e poderiamos ter tigres-dente-de-sabre aparecendo em filmes do Quentin Tarantino.

Voltando ao assunto, os exemplares ainda frescos da ararinha-azul estão pelo Brasil. Azar pra elas, sorte pra Tibério, o fotógrafo de aves e colecionador de chapéus. Desde que adquirira sua Nikon D60 ("uma puta duma câmera", segundo o vendedor), começou a cogitar seriamente a hipótese de seguir carreira como fotógrafo amador - um mercado de trabalho já um tanto saturado desde o surgimento da moda EMO nos Estados Unidos.

Frustrado por nunca ter conseguido iniciar seu negócio de fabricação e venda de rosquinhas e trajando um sombrero mexicano, Tibério decidiu telefonar para seu melhor amigo, Luiggi. Chegou no telefone e apertou o "redial", já que desde que a casa da sua mãe foi soterrada por uma avalanche, ele nunca mais precisou telefonar para outra pessoa.

- Alô, Luiggi?
- Sim.
- Tu acha que eu devo seguir a carreira de fotógrafo amador?
- Sim.
- Estava pensando nisso, cara. Eu tenho uma câmera agora, só falta decidir o que vou fotografar.
- Aves.
- É uma boa idéia!
- Sim.
- Valeu então, amigo!
- Sim.

Com a devida dose de empolgação injetada na veia e agora usando um capacete de aviador, Tibério retirou, com todo o cuidado da galáxia, a câmera de dentro da sacola e ficou algumas horas abraçado nela, deitado no sofá, gemendo baixinho. Tentou disfarçar a ereção dobrando o joelho pra cima.

***

Na outra manhã, bem cedo, nosso rapaz já estava fritando um omelete enquanto levava na cabeça uma cartola. Ele não costumava lavar a frigideira, por isso havia resíduos de bacon e de omeletes de eras atrás junto com o seu.

"Deixarei a frigideira aqui aquecendo enquanto vou dar um mijóvis", pensou. Atravessando o corredor, ele abriu a porta do banheiro e percebeu que algo estava errado. Olhou para a pia, nada. Dentro do box, nada. Entretanto, de dentro da privada, tentáculos roxos balançavam e agarravam coisas que estavam ao redor. Alguns mediam mais de dois metros de comprimento.

- Cacete atômico, que diabos é isso? - exclamou Tibério, já com o humor alterado pelo bizarro fenômeno e vestindo um capacete militar. Certamente um polvo ou lula gigante havia subido pelos encanamentos da casa e agora tentava sair pelo vaso sanitário.

- Alô, Luiggi? - Tibério tratou de imediatamente ligar para seu amigo para reportar o estranho acontecimento.
- Sim.
- Cara, você não vai acreditar. Algum bicho do caralho entalou na minha privada e seus tentáculos estão se debatendo no meu banheiro.
- Mentira.
- Falei que tu não ia acreditar! Hahaha!
- Hehe.

Colocando o telefone no gancho, Tibério retornou ao banheiro e agora fotografava os tentáculos de vários ângulos (fazia isso usando um capacete de ciclista). Enquanto o suposto polvo se debatia desesperadamente e agarrava a toalha de rosto com um de seus tentáculos, o jovem sorria e o flash de sua Nikon D60 iluminava todo o recinto. Passaram-se alguns minutos e Tibério percebeu que os tentáculos estavam ficando cada vez mais compridos.

Obviamente a criatura estava se esgueirando e conseguindo sair, mas seu "corpo" ainda permanecia oculto: apenas os tentáculos aumentavam seu raio de alcance e agora já chegavam até a porta. É claro que Tibério estava muito concentrado focando sua lente nas ventosas e não percebeu que um deles envolvia cuidadosamente sua canela. Foi quando o amável protagonista, já fazendo uso de um boné da Nike, sentiu um cheiro de queimado vindo da cozinha.

- Cacete atômico, meu omelete! - Foi quando Tibério tentou correr que sentiu sua canela presa fortemente a algo e caiu de bruços. A criatura o puxava para dentro do banheiro enquanto nosso herói, agora com uma tiara na cabeça, se agarrava no rodapé da porta e berrava por socorro.

Com um esforço sobre-humano, o jovem conseguiu se arrastar para fora do banheiro e foi até o telefone, que ficava próximo do corredor, ainda com o tentáculo roxo enrolado na canela e tentando puxá-lo de volta para aquele inferno que havia sido feito do banheiro - já todo destruído pelos tentáculos.

- LUIGGI, SOCORRO
- Calma, cara.
- O POLVO TÁ TENTANDO ME COMER, CORRE AQUI EM CASA E ME SALVA!
- Eu nunca fui na sua casa...
- N... NEM EU NA SUA!
- Eu nunca te vi pessoalmente...
- EU TAMBEM NUNCA TE VI, MAS POR FAVOR...
- Eu nem sei quem você é... todo dia você liga aqui em casa falando merda e coisas a respeito da sua vida... você me chama de "Luiggi", meu nome nem é esse.

Nesse momento, Tibério percebeu que, de fato, "Luiggi" era o nome que ele tinha dado para essa pessoa desconhecida para quem ligava praticamente todos os dias desde que fora morar sozinho na cidade de Xerem. Contudo, era tarde demais para ficar se perguntando o porquê de tudo aquilo ou a razão de sua vida parecer agora, sem razão. Ele precisava de ajuda:

- Ok, ok. Luiggi. Ou seja lá qual for o seu nome. Você... precisa me ajudar.
- Fale pra mim o que está acontecendo.
- É difícil explicar, você precisa confiar em mim vir até a minha casa - Tibério se controlava com todas as forças para não berrar no telefone, apesar de estar tomado pelo terror. Algum fator desconhecido, alguma enzima desnaturada, alguma ligação sináptica o havia feito permanecer numa calma sobre-humana.
- Diga-me o endereço e logo estarei aí.

Vestindo uma peruca loira, Tibério falava agora com um completo desconhecido que tratara como melhor amigo durante muito tempo. Não havia sensação no universo que poderia descrever seu estado emocional agora. Após ditar o endereço correto, depositou o telefone no gancho e se deixou arrastar até o banheiro. Agora ele queria morrer.

Contudo, antes de ser erguido pelo tentáculo após entrar no banheiro, uma das portas que ficava à esquerda no corredor se abriu com um chute e de seu interior saiu um homem barbudo armado com uma sub-metralhadora e um machado.

- L... Luiggi? - Sussurrou Tibério, quase chorando.
- Sim!
- Você... mora na minha casa?
- Sim!
- Durante todos esse anos eu telefonava para alguém... que ocupa um quarto no meu corredor?
- Sim!

Elevando o machado para cima da cabeça, Luiggi precipitou-se para dentro do banheiro e, num golpe certeiro, corou fora a perna de Tibério, libertando-o do tentáculo maldito.

- GHHGFUUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!
- Está livre meu amigo!!

Mordendo o lábio inferior por causa da dor lacinante e usando agora um chapéu côco, Tibério contorceu-se no chão, chorando e espirrando sangue nos ladrilhos do banheiro. Enquanto seu amigo sofria, Luiggi metralhava os tentáculos do monstro, que ia se recolhendo aos poucos para dentro da privada. Em poucos instantes, o banheiro estava silencioso. O monstro havia desaparecido por completo e Tibério estava encolhido no chão, gemendo.

- L... Luiggi... - choramingou ele.
- Sim?
- C... corra até a cozinha... e tire meu omelete do fogo.
- Você já pôs sal?
- J... já.
- Posso comer um pedaço?
- D... deve estar todo queimado.
- Bolas.

Enquanto Luiggi se afastava, Tibério levantou a cabeça e observou sua perna, sem vida, largada dentro do box. Começou a chorar de novo. Luiggi voltou para o banheiro tomando leite numa garrafa.

- Q... qual s... seu nome? - perguntou Tibério, fungando o nariz.
- Explosão de Fogo.

Tibério não conseguiu falar mais nada, pois sua perna ainda doía. Usando finalmente um chapéu de pirata, ele sentia que estava desmaiando e ouviu Explosão exclamar, lá longe, algo como "desculpe por nunca ter saído do quarto nem pra cagar, World of Warcraft é legal pra caralho e..."

12.22.2009

História especial de Natal

Duas e meia da manhã. O telefone tocou e eu acordei num salto, desci da cama pisando num patinho de borracha que estava no chão e perdi o equilibrio, caindo por cima dos controles do meu velho Playstation esparramados pelo chão. Enquanto isso o telefone tocava.

Sem enxergarnada, corri pra sala e me atirei no telefone, removendo-o do gancho.

- A..a.a.. alô! ALÔ!

- Vai chover amanhã, cara!

Ih, eu conhecia a voz. Agarrei o canto da mesa e me levantei. Inspirando, reuni alguma dose de sanidade e respondi com calma:

- Adilson... caralho, vai dormir. Sério, puta que pariu, são duas da manhã, não quero saber se amanã vai chover e....

- Cara, tu não entendeu! Amanhã de manhã vai chover muito! É a nossa chance!

Adilson era meu amigo entusiasta da faculdade. Todo mundo tem um amigo assim, céus eu espero que todos sejam abençoados pela presença de uma figura maldita dessas em suas vidas. Vinte e dois anos, alto, magrão e com hábitos peculiares do tipo andar pelo supermercado abrindo embalagens de maionese e trocando as tampas.

- E eu com isso, cara? - retruquei, sem entender.

- Meu plano, lembra? A gente sai de noite e tampa os bueiros.

- Ahn??

- Velho, presta atenção! A gente sai, agora, eu e tu. Eu dirijo. Vamos pro centro da cidade e tampamos todos os bueiros e saídas d'água. Amanhã vai chover bem cedo e vai alagar tudo!

Lembrei. Ele tinha comentado isso um dia, no bar. Jamais imaginaria que estava falando sério - ele declamava uma poesia sobre a cidade alagada segurando um dos sapatos como se fosse a caveira segurada por Hamlet. Mantendo a calma, comentei:

- Mas, cara, não... não vai dar certo, é muito bueiro pra tapar...

- Vai sim, já tenho tudo pronto - exclamou Adilson, interrompendo-me. - Eu passo aí na sua casa, já tenho cimento e argila no porta-malas do carro. Vista-se e pegue uma pá, luvas e sacolas plásticas.

- Mas...

- Não temos tempo a perder! Ah, pegue aquele pote de biscoitos de cima do seu armário da cozinha também - falou, antes de desligar o telefone.

Dez minutos depois estávamos estacionados na frente de uma agência do Banco do Brasil com o material em mãos. Eu ainda vestia a camiseta de pijama.

- É aqui - começou Adilson - que nossa rota de destruição e filha-da-putagem começa.

- E os outros bueiros? Teríamos que tapar todos os da cidade, uma hora a água começa a descer.

- Hehe! Pelos meus cálculos, se taparmos todos dessa rua a partir desse, a água vai elevar-se o suficiente para invadir a maioria dos prédios do centro. Já é o suficiente para a minha alegria.

Consetir ou não consentir, eis a questão. Abri o primeiro saco de argila e soquei na entrada do bueiro. Na minha cabeça, uma imagem minha própria, cinquenta anos mais velho, relatava sorridente para os netos sobre o dia que eu destrui o centro da cidade com meu amigo debilóide.

Enquanto eu tapava os bueiros do lado esquerdo da rua, Adilsom ia tapando os do lado direito. Depois fomos tapando os das ruas adjacentes e as demais saídas de água.

Cerca de cinco horas em ponto, havíamos terminado tudo. Meus braços doíam, mas Adilson parecia ter atingido o Nirvana. Como se não bastasse ter trabalhado toda a noite cantarolando marchinhas de carnaval, ele estava mais empolgado do que um criança no Natal - e seu sorriso aumentava alguns milímetros para cada raio que ecoava no céu e cada gota que começava a cair.

- Entra no carro, Adílson! O pessoal vai sair na rua daqui a pouco e vai ver a gente.

- Tá! Vamos subir o morro da Búfala, lá de cima teremos uma visão panorâmica do caos.

Assim que Adilson deu a ignição no seu Fiat Uno, senti um tremor de terra. Assustado, olhei no retrovisor e o que parecia ser um gorila estava nos perseguindo. Não acreditando, virei o pescoço para trás e, de fato, um homem vestidod e gorila estava seguindo o carro.

- Meu deus, Adilson! Saca só lá atrás!

Adilson espiou e começou a rir. Com um cavalinho-de-pau, virou o carro na direção do homem vestidod e gorila e acelerou, atropelando o desgraçado e fazendo-o saltar por cima do pára-brisa.

- SANTO DEUS, você matou o homem! - berrei, segurando firme no puta-merda. Olhei para Adilson e sua feição era a de um verdadeiro assassino sem coração. Agarrei o ombro do meu amigo e tornei a falar: - Adilson? ADILSON! Cê ta me ouvindo, cara?

A chuva continuava a cair enquanto mais homens vestidos de gorila apareciam. Comecei a entrar em pânico, mas Adilson simplesmente dirigia,d espedaçando o bizarro exército ao passar por cima de seus integrantes. Logo os vidros do carro estavam todos sujos de sangue.

- Pára o carro, mano. Sério, me deixa descer que eu vou a pé pra casa!

E eis que Adilson acelera o carro até bater em um poste. A força do impacto arremessou-me contra o vidro, que quebrou-se e permitiu a projeção do meu corpo para fora do carro. Adilson saiu, sem nenhum arranhão, e meteu um chute em um dos homens vestidos de gorila, enquanto os demais amontoavam-se ao redor dele. A chuva estava ficando realmente forte e dava pra ver o alagamento começando.

- Aaagh meu braço!! - Levantei-me, cambaleando, e corri. Passei pelos sujeitos com roupa de gorila que iam ao encontro de Adilson e entrei em uma cabine telefônica. A chuva, a essas alturas, ja era uma tempestade do caralho e embaçava os vidros da cabine: eu não conseguia ver Adilson no meio dos seus agressores.

Haviam cacos de vidro grudados na minha perna, minha testa estava ralada e meu braço sangrava.

- Central da polícia, bom dia.

- CARAS me ajudem, estão espancando meu amigo aqui na rua.

- Diga o endereço please.

Enquanto falava o nome da rua, ia esfregando o vidro da cabine para tentar ver alguma coisa. Alguns homens com roupa de gorila agonizavam no chão e a "roda" de luta continuava. Adilson devia estar lutando bravamente. Antes de encerrar a ligação, lembrei do alagamento e finalizei:

- ...e mandem um helicóptero, de carro vocês não conseguirão chegar aqui!

Saí correndo da cabine. O vento que acompanhava a chuva era tão forte que me empurrava para trás e a água já cobria completamente meus pés. Lá estava Adilson, todo ensanguentado, sendo segurado por trás por um dos caras enquanto outro o socava na frente. Tomado pela raiva, corri até lá e cheguei na cotovelada, libertando meu amigo.

Nós dois corremos até conseguir subir em um coqueiro. O alagamento já estava absurdamente alto.

- Vejam! - berrou Adilson, erguendo os braços e exibindo par ao universo o seu olho roxo - Contemplem a minha obra!

E, de fato, eis uma obra pitoresca. A correnteza que havia se formado arrastava os homens vestidos de gorila, cestas de lixo, sacolas, outros humkanos que andavam por lá, os carros da polícia e o helicóptero.

Se, para você, a história está boa até aqui, sugiro que não leia as justificativas abaixo:

Qual é o nome do personagem principal?
Sílvio

A cidade alagou mesmo, tipo, muito?
Sim, deu um prejuizo de cerca de setenta milhões para a prefeitura

Por quê homens vestidos de gorila?
Era um clube de homens vestidos de gorila. Eles estavam acordados e ouviram o barulho dos dois jovens vandalizando geral. Decidiram fazer justiça com as própiras mãos... ou melhor, com as mãos das suas fantasias de gorila.

Sílvio e Adílson sobreviveram?
Claro, Sílvio hoje tem sessenta e sete anos e já é vítima de Alzheimer: contou milhares de vezes para os netos sobre o dia que cagou na porrada os homens vestidos de gorila - ou de golfinho, ele não lembra direito.

11.16.2009

Humor contemporâneo: histórias em caps lock

Essa postagem parte de três premissas: a primeira, e mais óbvia, é a que alega que você, sagaz leitor, não acrescentará nada a sua vida lendo ela. A segunda, mais específica, diz que faz humor na internet é fácil e a terceira, a polêmica, é a que traz a seguinte afirmação: vou demonstrar isso.

Acontece que, seguindo toda essa lógica acadêmica que acaba com minhas noites de sono, existe uma série de características, elementos e processos que têm como finalidade transformar simples textos em verdadeiras pérolas do humor na internet. Sim, meus jovens, nãos e trata de talento ou treino. O humor vive uma época onde sua formação se dá por ingredientes - tal e qual uma receita de bolo de nozes.

O lado bom disso é que fica óbvio que algumas coisas que os seres humanos ainda indetificam como "humor" obviamente deixaram de usar tais ingredientes a um bom tempo e cairam no patamar que está logo abaixo do humor. O humor é algo engraçado, o patamar logo abaixo é o que cretino. Se o cretino é engraçado, então ele deixou de ser cretino e evoluiu pra algo mais nobre - tornou-se então algo idiota.

O Didi é cretino. Esse blog é idiota. Uma mulher gorda caindo é engraçado. Viu como é fácil?

Vou demonstrar aqui e agora uma das várias receitas de humor via internet: a dos textos em caps lock.

1 - Escreva tudo em caps lock. Tudo. O uso desse atributo gráfico remete ao ato de gritar. Semioticamente falando, nós imaginamos a pessoa falando calma e normalmente em textos corridos assim. CONTUDO, AO ESCREVER USANDO LETRAS MAIÚSCULAS, É FÁCIL IMAGINAR QUE "epa, esse cara tá gritando comigo". Típica coisa de noob, claro.

2 - Esqueça a pontuação. Ou melhor, use com moderação. Esquecer de pontuar as frases deixa mais difícil imaginar a pessoa falando calmamente - e isso é engraçado, batatas! COMBINANDO ESSAS DUAS CARACTERISTICAS VOCÊ CONSEGUE UM EFEITO BEM IMBECIL NA SUA RETÓRICA BICHO HEHEHEEH.

3 - Erre. De propósito. Mas não muito, é pra parecer que você errou mesmo, tipo uma criança de 11 anos socando o teclado.

Eis a receita completa. Confira agora alguns resultados dessa mistura:

***

OUTRO DIA SAI DE CASA PARA IR NA PADARIA LEVANDO COMIGO MEU IPOD. MINHA MAE PEDIU FILHO COMPRE DOCE E HEHEE ADORO DOCE ENTOA EU FUI. CHEGANDO LA PUF ACABA A ENERGIA DO MEU **IPOD** FICO PUTO CTZ E DECIOD PASSAR NUMA LOJA DE ELECTÓRNICOS ALI PERTO PARA AVERIGUAR SE VENDIAM PILHAS. TINHA UM HOMEM NO BALCAO ELE ME OLHOU OLHEI PRA ELE ELE RETRIBUIU O OLHAR DE UM TRABALHADOR SINCERO E ENTAO EU ME APROXIMEI
- AEW
- OI
- CARA ME DA PILHA
- TAMANHO COR MARCA
VOCES PERCEBERAM A SACANAGEM O DESGRACADO ESTAVA AVACALHANDO COMIGO
- NAO CARA NAO EU SSO QUERO PILHAS
- ?
- PILHAS POR VAFOR
- TAMANHO COR MARCA PREÇO
FICOU EVIDENTE QUE O DEMONIO ESTAVA TIRANDO SARRO DE MIM JA QUE HAVIA ACRESCENTADO UM ITEM NA SUA LISTA DE BOBAGENS
- MEU AMIGO ESCUTA AQUI CARA OLHA SO EU QUERO PILHAS MANO PILHAS CARA SIMPLESMENTE PILHAS ME DIZ É DIFICIL
- MAS ENTAO
- ENTAO O QUE CARA
- TAMANHO COR MARCA PREÇO
- PORRA MANO SE TA DE ZUERA NE EU NAO QUERO SABER ISSO AI POR QUE VOCE NAO VAI TOMAR NO CU E ME TRAZ PILHAS
- OLHA O RESPEITO FILHA DA PUTA
- CARA CE QUE COMEÇOU A BOLERAGEM EU VENHO AQUI E PEÇO PILHAS E TU ATE AGORA SO FICOU ENCHENDO MINHA SACOLA
- QUE TU QUE QUE EU FAÇO
- CHAMA EL GERENTE
O IMBECIL ENTROU NA COTRINA E VOLTOU ACOMPANHANDO DE UM HOMEM DE BIGODE
- OLA BOM DIA
- O SR E O GERENTE
- S
- ME DA PILHA
- TAMANHO COR MARCA PREÇO
MANO DE BOA VOLTEI PRA CASA SEM PILHAS

***

ESSES DIAS ESTAVA EU AQUI EM MINAH CASA TOMANDO UM BANHO BANHO QUENTE A AGUA QUE MARAVILHA DESCIA SUVEMENT PELO MEUS COSTAS MEU SEIOS MEUS REGOS ATE CAIR FAZENDO PLOC PLOC NO RALO. EIS QUE DO NADA SURGE UMA SOMBRA - AI MEU DEUS EU PENSO, O QUE SERA - E ENTÃO ACONTECE O SEGUINTE CARA, A SOMBRA ENTROU O BOX!!!

ERA UM HOMEM DESCONHECIDO PUTA QUE PARIU EU PENSEI, ELE VIA ME ATACAR ELE VAI ME MATAR COM CEERTEZA EO FIM

ENTAO ELE AVANÇOU SOBRE MIM PEGOU O SHAMPOO E COLOCOU NAS MAOS ESFREGOU UMA NA OUTRA E COMEÇOU A LAVAR MEU CABELO COMEÇOU A ACARICIAR O COURO CABELUDO SUAVEMTENE. DEPOIS COLOCOU MINHA CABEÇA EMBAIXO DO CHUVEIRO E ENXAGUOU, LAVOU BEM ATRAS DA ORELHA E ETC DEPOIS PEGOU O CONDICIONADOR. PASSOU CONDICIONADOR, ESFREGOU BEM POR ALGUNS INSTANTES E ENXAGUOU DE NOVO

VIRO AS COSTA E FOI EMBORA

***

Use com moderação. A propósito, agora toda nova postagem contará com uma musiquinha-tema nova ali do lado. A música é especialmente escolhida para ter a ver com o plot - ou não.

10.05.2009

Série "Contos da Jojoca" - Um bizarro fato em Xerem

Martin acordou naquela madrugada com estranhos ruidos vindos de sua cozinha. Pensando se tratar novamente de Boris, o gato da viinha da casa do lado, o rapaz vestiu o roupão de banho, pegou vassoura que mantinha atrás da porta do quarto e dirigiu-se lentamente, na ponta dos pés, até a cozinha. Os ruidos que ouvira anteriormente evoluiram então para o caracterísitico tilintar que as panelas faziam ao baterem umas nas outras.

"Filho da puta, está bagunçando meu armário de panelas". Empunhando a vassoura acima da cabeça, Martin correu até o tal armário, abriu uma das portas e recuou: de dentro da escuridão, sairam enfileiradas, uma a uma, as panelas. Caminhavam juntas, como soldados organizados, em direção à porta dos fundos. Enraivecido, Martin agitou a vassoura, acertando em cheio a frigideira. O objeto, em um curto porém magnífico vôo, chocou-se contra a parede, produzindo um estalido que fez todas as demais panelas imediatamente entrarem em guarda.

O tacho de sopa, a grande panela que liderava o grupo, rapidamente correu até a frigideira e, com suas curtas alças pareceu tentar ajudá-la a se levantar. Era uma revolução. As panelas haviam desenvolvido um consciente coletivo forte e convicto e colocavam em prática naquele momento um plano de fuga.

- Ah, não quero almoçar em restaurante amanhã! - Esbravejou Martin enquanto acertava o ralador de queijo com o cabo. Percebendo a ameaça, as demais panelas dispersaram-se por debaixo dos balcões e das cadeiras. O tacho de sopa posicionou-se como uma "parede humana" (no caso, uma parede metálica) na frente da frigideira, que se recuperava do impacto.

Martin, segurando a vassoura com ambas as mãos, estava atento: a cozinha podia estar escura, mas panelas causavam muito barulho ao se mover e isso tornaria fácil evitar um ataque.

Dito e feito: a caneca de leite precipitou-se sobre ele em uma investida à lá wrestling da qual Martin escapou dando um passo par ao lado. Porém a panela de barro rolou no mesmo instante vindo por trás do rapaz, que foi atingido nos calcanhares e perdeu o equilíbrio.

- Mas que merda, não posos acertá-la ou acabarei quebrando o melhor jeito de se cozinhar um bacalhau!

Apoiando uma das mãos no chão, Martin ia tentar se levantar quando um das panelas menores bateu em seus dedos, fazendo-o urrar de dor. Não demorou muito para todas as panelas reaparecerem e investirem contra Martin, que se debatia e tentava erguer seu corpo do chão.

Foi quando o tacho de sopa resolveu atacar. Ele veio rolando, absurdamente rápido, acabando por atingir as costas dele. Martin ficou furioso, agarrou o cabo da vassoura e agitou-o no ar, acertando duas panelas menores e uma travessa de salada. Recompondo-se, esava agora cara a cara contra o tacho de sopa.

- Cuzeiro, é você o responsável por isso tudo então? - resmungou Martin cerrando os dentes. Um filete de sangue escorria do canto da sua boca e seu cabelo estava muito bagunçado.

O tacho de sopa iniciou uma sequência complexa de movimentos: girando no próprio eixo, inclinou-se para frente e parou subitamente a rotação, fazendo com que sua tampa saltasse como um violento shuriken em direção à testa de Martin. O rapaz percebeu a técnica e posicionou a vassoura verticalmente a sua frente, mas foi em vão: a tampa voava com tamanha potência que partiu o cabo em dois e ricocheteou na têmpora de Martin. Se ela não tivesse batido no cabo antes, muito provavelmente teria se cravado na testa do coitado.

O jovem de roupão soltou um gemido enquanto caia sobre as cadeiras. O tacho virou uma cambalhota no ar e atingiu seu plexo solar, fazendo Martin perder o fôlego e soltar o resto da vassoura que tinha em mãos. Logo o ataque das demais panelas recomeçou, Martin tentava se desvencilhar enquanto o metal quebrava seus ossos.

- AH SOCORRO CARALHO!!! ALGUÉM ME AJUDE, ALGUÉM ME TRAGA OUTRA VASSOURA AAARAGH!!

Em poucos segundos, as panelas estavam com seus fundos tingidos de sangue. A frigideira, saltando por cima da mesa, desferiu o golpe de misericórdia, matando Martin.

Silêncio. O tacho de sopa deu a ordemd e comando para que escondessem o corpo. Enquanto isso, a panela média enchia-se de água para lavar a sujeira e a leiteira e o bule de café juntavam os cacos da vassoura.

Dez minutos depois, a fila indiana ia saindo da casa. Eram 3 da madrugada em Xerem. A morte de Martin foi catalogada como "acidente doméstico" e seus pais, passado o choque, compraram um forno de microondas.

Aula de alemão (Celin, terceiro nível). Alguns minutos antes da prova:

Garota que sempre senta no canto esquerdo da sala: Uau.
Eu: ?
Garota que sempre senta no canto esquerdo da sala: Você tem dois estojos?
Eu: Sim. Eu uso um só pra canetas e outro para lápis e materiais de desenho.
Garota que sempre senta no canto esquerdo da sala: Só pra canetas?
Eu: Exato.
Garota que sempre senta no canto esquerdo da sala: Você é quase uma menina então.
Eu: Hã?
Garota que sempre senta no canto esquerdo da sala: Sim, meninas geralmente têm muitas canetas.
Eu: ... a.

9.17.2009

"Rápido, tripulação! O navio dos australianos se aproxima! Carreguem os canhões com esterco!"

A Saga de Venceslau, o pirata que não tinha perna

Parte final

Atenção atenção, jovens! A saga de venceslau evoluiu de tal forma que existem três finais alternativos para ela. Você, sagaz leitor, escolherá o que mais te faz feliz. Leia abaixo e dê sua opinião! (ou uma das duas coisas)

Final 1 (ou o Óbvio Ululante):

Um dia, Aristeu escavou até chegar a uma câmara subterrânea muito escura. Era o que parecia ser um enorme anfiteatro, uma enorme abóbada de terra erguia-se acima dele e apenas graças a sua visão acurada ele conseguia ter uma noção de quão grande era aquela redoma.

Caminhando pela recém descoberta câmara, Aristeu parou ao ouvir um estalido. Olhou para trás, ou melhor, esticou o pescoço agora enorme para trás e viu pedrinhas se desprendendo do teto. Ficou imóvel até que a terra começo a tremer e eis que, após um estrondo, o teto se racha, revelando novamente - e após tanto tempo - a luz solar. O momento seria lindo se, junto com a luz solar, outra coisa não tivesse entrado junto na caverna: a mulher de Aristeu, Cornélia!

O ex-catalogador de raízes tentou falar, mas seu cérebro já não processava mais esse tipo de informação e ele permaneceu imóvel assistindo sua mulher cair do teto armada com uma marreta do caralho.

- Meu amor! Enfim encontrei você! - exclamou ela, aparentemente feliz e sems e importar muito com o novo look do seu marido.

Aristeu simplesmente rastejou até um canto da câmara e se encolheu. Apesar de ter virado aquela bizarrice, ele ainda era capaz de setir medo. E, no caso, muito medo. A marreta vinha arrastando a pesada cabeça pelo chão enquanto sua mulher caminhava em sua direção.

- Foi difícil - ia dizendo ela, docilmente - te encontrar aqui, Aristeu! Eu esavei túneis e mais túneis, passei por vários países, comprei muitas picaretas, investi uma grana preta só pra poder te achar e te levar pra casa!

Ela foi chegando mais perto. Aristeu não pensava mais apenas em comer merda: ele tambem tentava bolar um plano para tentar fugir dali com todas as forças. Quando Cornélia chegou perto o suficiente, o coitado conseguiu ver que seus olhos giravam nas órbitas e que ela estava visivelmente insana. Assim que Cornéliu viu a face aterrorizada de seu marido, soltou uma gargalhada terrível e ergueu a marreta por cima da cabeça, preparando o golpe.

Mais do que rapidamente, Aristeu virou de costas e começou a cavar. Cavava mais rápido do que jamais havia cavado na vida, cavava por que se não cavasse o suficiente ele teria uma marreta afundada na sua nuca (se é que havia alguma distinção entre sua nuca e o pescoço).

- VOU CURAR VOCÊ MEU CHUCHUZÃÃÃÃO!! - berrou Cornélia. Contudo, antes de conseguir descer o pesado objeto na cabeça - ou pescoço, ou costas, não sei - do seu marido, eis que, como se os céus conspirasse para esse momento, como se aquela fração de segundo estivesse escrita no calendário Maia, a parede da câmara a frente de Cornélia explode, abrindo um rombo enorme e fazendo um potente jato d'água atingir Cornélia com tudo nas teta.

Juntamente com o jato d'água, surge, gritando de pavor, um pirata com uma perna de pau: Venceslau!!

Seguindo ele e também impulsionados pelo jato, vinham também pedras, galhos de árvores, animais da floresta, âmbar seco, uma equipe de bombeiros, uma turma de escoteiros com seu cão labrador, uma equipe de resgate londrina, os Power Rangers vermelho, amarelo e o Centurião Azul, a Liga da Justiça, a Tia do Bátima, alguns ninjas treinados, os piratas turcos da primeira parte da história, o cacique da tribo, a jovem Nuvem de Fumaça, um exemplar da revista "Jardinagem e Arranjos Florais", a jangada da primeira temporada de Lost e uma miniatura da estátua da liberdade que anda, fala francês antigo (sem sotaque) e brilha no escuro (40% acetato e 60% poliestireno).

Todos esses elementos chocaram-se contra a insana esposa de Aristeu, que foi arremessada para o outro lado da câmara. Após a confusão, o silêncio se instaurou novamente no local e Ariste parou de cavar. Ficou olhando fixamente para a cena: em meio aos escombros, Venceslau levantava-se, xingando.

- Mas que diabos - resmungava ele. Fui claramente avacalhado! Passei as últimas duas semanas caindo por esse buraco, estou morto de fome. Vou fuçar na mochila dos escoteiros pra ver se tem biscoitos e... - parou instantaneamente de falar ao se deparar com Aristeu. "Uma coxinha", pensou. Era o que lhe parecia aquele ser grotesco que permanecia, a sua frente, observando-o com seus miúdos olhinhos que saltavam da sua cabeça - que assemelhava-se enormemente com o joelho do Jô Soares.

- Santo Deus, mas o que na face da Terra é você? Uma jojoca?

E então, o milagre acontece: ao ouvir a palavra "jojoca", Aristeu começa a se contorcer. Seu corpo vai aos poucos retomando a cor, seus braços voltam ao normal, suas pernas se separam, seu cabelo cresce novamente. Pronto: estava deitado ali, peladão, o catalogador de raízes, Aristeu. O desgraçado não conseguia abrir os olhos, seu corpo fedia, seu sistema digestório - agora normal, havia comido apenas cocô nos ultimos tempos e isso com certeza não devia ter lhe feito bem.

- Onde estou? - perguntou ele, ainda tentando fazer esforço para levantar.

- E... em algum l... lugar embaixo da Terra - respondeu Aristeu, estupefato. Para ele, era cada vez mais certo de que havia caído em algum mundo paralelo ao seu. Tudo que ele queria era voltar para a floresta. Queria estar de novo lá exporando a ilha: queria ser foda explorando a ilha.

- Eu quero ir pra casa... - sussurrou Aristeu, e começou a chorar. Venceslau mal teve tempo de sentir pena daquele home pelado a sua frente chorando - e logo todo mundo atrás dele se levantou e começou a chorar (menos a miniatura da estátua da liberdade). Todo mundo queria voltar para casa.

Uma caravana se organizou e aos poucos aquelas pessoas começaram a sair pelo buraco que Cornélia havia feito. Os bombeiros, o cão labrador, os escoteiros - um deles carregando o exemplar da revista: todos estavam indo embora. Antes de ir junto, Venceslau levantou o desgraçado do chão e o ajudou a caminhar também em direção ao buraco.

Tudo parecia resolvido quando Cornélia levantou-se e bloqueou a passagem dos dois. Enfurecida, coberta de sangue, descabelada: a mulher estava motivad a matar os dois, com uma única marretada.

- Afaste-se, meu amigo! - Exclamou Venceslau, empurrando Aristeu para trás. Era hora da batalha final, era hora de lutar por aquilo que acreditava. Arregaçando as mangas, o bravo pirata saltou e agarrou o pescoço da mulher, que gritou blasfêmias enquanto perdia o equilíbrio e caía. Chutando Venceslau no saco, Cornélia conseguiu se desvencilhar. Ergueu a marreta do chão e preparou um golpe mortal, girando-a por cima da cabeça. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Venceslau conseguiu se erguer e jogou-se contra a cintura da mulher, atingindo-a em cheio e arremessando a marreta para o lado.

Desarmada, Cornélia deu uma cotovelada no nariz do pirata e tentou a todo custo engatinahr até sua marreta. Por sorte, Aristeu chegou à ferramenta antes - mas esqueceu-se de como usá-la e limitou-se a roer o seu cabo. Cornélia o empurrou, pegou o pesado objeto e girou-o para trás, tentando acertar Vency. Contudo, o pirata abaixou-se, fazendo com que o golpe passasse por cima da sua cabeça, e aproveitou a guarda aberta de sua adversária para soltar um hadouken e acabar de vez com a luta.

- Sou bom! - exclamou ele enquanto pegava Aristeu no colo e saía daquela caverna maldita.

E assim termina a saga de Venceslau, o pirata que não tinha Perna!

***

Final 2 (Ou O Apelo Ao Fantástico)

Aristeu excavou até chegar em uma escura sala. Continuou rastejando por essa sala até chegar na parede oposta - pois só o que queria era continuar cavando.

Apoiando suas mãos - ou garras - na parede, recomeçou a cavar. Abriu um pequeno túnel, e cavou. Cavou por um bom tempo até que abriu o que parecia serum buraco na superfície.

O ex-catalogador de raízes espichou a cabeça para fora do buraco e se deparou com o seguinte cenário: o planeta, dominado por máquinas, tinha sua superfície coberta por instalações cibernéticas. Não havia nenhum sinal de seres humanos, apenas máquina, robôs e computadores encobertos por um céu escuro e trovejante.

Aristeu ficou algumas horas parado, alí, olhando para aquilo tudo. Setecentos e vinte e dois anos haviam se passado desde que ele se tornara aquela coisa bizarra. O mundo havia passado pela terceira guerra mundial e as máquinas agora dominavam o planeta Terra - Aristeu era, portanto, o último ser humano sobrevivente.

Convencido de que não iria encontrar nada de útil ali (ou seja, nao iria encontrar fezes humanas ali), Aristeu retornou pra dentro do buraco e excavou mais.

O tempo se passou, Aristeu continuou excavando. Ele não sabe, mas dentro de alguns meses ele encontrará uma colônia de humanos-mutantes que vivem embaixo da terra e será reconhecido como um deus. Antes disso, contudo, ele encontrará algumas coisas menos importantes como o fóssil de um pirata sem uma perna, juntamente com as ossadas de bombeiros, escoteiros, animais da floresta, a jangada da primeira temporada de Lost e uma miniatura da estátua da liberdade que anda e fala francês antigo - sem sotaque.

***

Final 3 (Ou O Final que o Bolívar Acharia mais Massa)

Aristeu - que agora mudou seu nome para Charlinho, excavou até chegar em uma câmara escura. Estava escura, escura mesmo, escura pra caralho. Ele engatinhou pelos arredores até que, antes que encontrasse qualquer coisa, as luzes se acenderam e começou a tocar essa música:

http://www.youtube.com/watch?v=woxcxp-OO4w

Aristeu se assustou, tentou correr, mas quando percebeu, já estava cercado pelo auditório,q ue batia palmas no ritmo da música.

Silvio Santos: Mah oe! Vem pra cá vem pra cá OE!

Aristeu: ????

Silvio Santos: Mas o que temos aqui, Lombardi? O que raios é isso, oeoeoeoe hehehihi?

Lombardi: É um ser humano em forma de piroca, Silvio!

Silvio Santos: Meu Deus, eu não sou pago para isso, tchau!

E eis que um helicóptero surge e Silvio Santos vai embora pendurado na escadinha que caiu dele - não sem antes tirar a a camisa e mostrar uma tatuagem com as palavras "Foda-se a Globo" tatuada na barriga.

***

Jovens, eu realmente ganhei uma miniatura da Estátua da Liberdade! Ela não anda e nem fala francês, mas parece que eu tenho amigos que se preocupam com meu estado mental!

Enfim, eu não vou postar muita coisa sobre a minha vida hoje, a não ser um diálogo que eu tive esses dias, de manhã, saindo da Casa do Estudante. Por incrível que pareça, havia um cano desses de PVC cruzando a calçada e - LOL - tinha espuma sainda por um buraco nele. Bastante espuma. Por sorte, Daniclei, o meu vizinho de quarto, estava sentado ali perto, fumando:

Eu: Daniclei, que diabo é isso? - berrei, apontando para a espuma.

Daniclei: É Raiva Predial! Acontece nas construções antigas e que estão caindo aos pedaços. É um dos sintomas do Alzheimer Arquitetônico!

Eu: A.




8.31.2009

"Mais quantos capítulos o meu olho de vidro terá que ler dessa coisa?"

A Saga de Venceslau, o pirata qe não tinha perna

Parte 8

Num esforço sobre-humano, Aristeu rolou para o lado escapando da primeira martelada, que deixou um pequeno buraco ao chocar-se contra opavimento da rua.

Rastejando como se fosse uma lagarta mede-palmos, o catalogador de raízes se afastou da frenética mulher e dirigiu-se para o bueiro mais próximo. A cada metro que andava, gemia como se lhe estivesse puxando todos os fios de cabelo e pêlos do saco. Estava cada vez mais próximoda entrada do esgoto quando Cornélia saltou alguns metros e desferiu um golpe giratório com o martelo, afundando-o na quinta vértebra de sua coluna.

Aristeu, contudo, ignorou a dor lacinante e se atirou para dentro da entrada do Bueiro.

- VOLTE, MEU AMOR! VENHA AQUI NO MARTELINHOD A SUA MULHER, VENHA, MEU QUERIDO! - berrava Cornélia, ensandecida. Com medo, Aristeu (ainda rastejando como uma taturana), encolheu-se noc anto mais escuro e nojento do bueiro e ficou esperando a monstra se afastar. O bloqueio mental permanecia e ele sentia seus calcanhares girando.

Após alguns segundos, a dor nas costas começou e ele percebeu que não conseguia mais se levantar. Olhou para a fenda do bueiro e viu que sua mulher ainda esperava. Tomado pelo terror, entrou em um dos canos de esgoto a fim de se proteger melhor. Foi então que Cornélia, urrando palavrões insanos, começou a bater com o martelo na pate superior da fenda do bueiro, para que assim aumentasse sua entrada e ela conseguisse penetrar.

"Caralho voador", pensou Aristeu enquanto adentrava mais e mais no cano de esgoto. Ele precisava armar um plano ou sua mulher o perseguiria até os confis da terra - ou dos confis do subterrâneo. Olhando ao redor da entrada do cano, encontrou um monte de dedritos. Utilizando suas mãos, que agora estavam praticamente coladas ao peito, Aristeu começou a cavar o que ele mais tard descobriu se tratar de bosta. Cavando os cocozudos, logo o catalogador de raízes conseguiu fazer um monte de esterco suficiente para tapar a entrada do cano no qual se encontrava.

- NÃÃÃÃO MEU HOMEEEEM! VOLTE AQUIIIIII!! - Esbravejou Cornélia, ao perdê-lo de vista por causa do montinho de bosta.

- Vai dormir, mulher!! - gritava Aristeu lá de dentro. - Volta pra casa e dorme que eu vou icar aqui pra me curar sozinho!

- Você não vai conseguir, Aristeu! Você nunca vai conseguir! Só eu tenho a cura, só eu posso te salvar, broto! Você nunca será capaz de se curar sozinho, eu posso garantir que não!!

- Vou sim, te fode meu amor!

- Eu voltarei, Aristeu, e com um martelo maior! Voltarei pra te puxar de volta dos tentáculos da agonia que o tragam, por que você é meu homem e é meu dever como boa esposa te protejer do mal! Voltarei com um martelo maior e com muito mais maldade no coração!

- Vai lá buscar a porra do martelo e me deixa em paz então!

Dito isso, Aristeu deixou a mulher falando sozinha, deu meia-volta e rastejou para mais além dentro do cano, ainda imitando uma lagarta mede-palmos. A dor das torções corporais, aliada ao ferimento na coluna, eram terríveis e o faziam lacrimejar, mas nada podia ser pior que o martelo da sua mulher.

Rastejou. Rastejou até perder a noção se era dia ou noite. Seu corpo começou a se adaptar: seus olhos só viam a escuridão, suas pernas já não tinham mais utilidade dentro das câmaras baixas e dos encanamentos apertados. Seu nariz só farejava terra, cocozudos e mijo de rato. Seus braços serviam apenas como ferramenta para escavar, já que sua locomoção se dava encolhendo e estendendo novamente todo o corpo.

Aristeu se transformava, aos poucos, num troço bizarro. Seu corpo ia assumindo formas mutagênicas, seu cérebro foi aos poucos esquecendo as palavras e as regras de etiqueta ocidentais. Já não lembrava mais a tabuada toda. Seus bigodes cresceram como os de uma ratazana, pois assim lhe eram úteis dentro dos túneis.

Logo, Aristeu percebeu que não precisava mais seguir à esmo o rumo que os infinitos canos e galreias subterrâneas o levavam - ele começou a escavar. Criava seus próprios túneis, descobria os próprios caminhos. Criou um universo para si dentro dos esgotos da cidade de Coçascosta.

Sua roupa, já tão rasgada e suja, escapou pelos pés, já que seu corpo adquirira o formato do de uma lagarta, com braços colados ao peito e pernas coladas uma a outra. Agora Aristeu escavava túneis e se aventurava pelas entranhas da terra completamente nu, peladão. Mas isso não significava mais nada, seu cérebro já não processava mais a informação da necessidade da roupa.

Aos poucos, a cor da pele de Aristeu foi mudando. Era agora um cinza-esverdeado, uma cor de bosta seca. Ele já não emitia os mesmos sons de antes. No lugar dos gemidos de dor, estavam grunhidos de um monstro mutante infernal. Os grunhidos de pânico oriundo do isolamento, da falta de amigos. Aristeu nunca achou nenhum semelhante.

Seus hábitos alimentares mudaram, seu metabolismo mudou. Os pêlos do seu corpo cairam todos, ficou careca. Seus dentes ficaram pontudos e cresceram, por que Aristeu criou a auto-necessidade de se alimentar de qualquer coisa que se mexia. Passou a comer cocô.

Seu pênis atrofiou no que parecia agora um orifício de mijar, por que o cérebro de Aristeu esqueceu da necessidade reprodutiva inerente ao ser humano. Seu cérebro só pensava em cavar, cavar, cavar e comer bosta. Seus dedos do pé foram caindo, um a um, e os da mão, ao contrário, cresciam e suas unhas ficavam enormes e grossas. Elas podiam atravessar concreto, aço, madeira, poliestireno.

Já não se viam mais duas pernas, mas apenas uma massa que terminava em cotocos de onde antes eram dois pés de um homem trabalhador. Nas suas costas, criaram-se pêlos grossos e cheiso de resíduos de merda, que atuavam como proteção e para aquecimento. Aristeu fedia a cheirume e jamais voltaria a se relacionar com a civilização. Mas seu nariz se adaptou, ele não conseguia mais sentir o próprio cheiro, já tão normal. Ele conseguia, no entanto, farejar qualquer coisa num raio de dezesseis quilômetros.

E assim surgiu Aristeu, o filho do capeta. O que outrora era um nobre catalogador de raízes havia se transformado nessa aberração, nessa pouca-vergonha. Aristeu , o filho do capeta, um ser irracional que morava no subterrânio de Coçascosta e habitava o imaginário coletivo, fazia as crianças chorarem de noite, comia cocô e cagava mais cocô. Um ser esquecido por Deus, um filho da puta, um mutante desgraçado, um comunista.

Um dia, Aristeu escavou até chegar a uma câmara subterrânea muito escura...

No próximo post, confira o final da Saga de Venceslau, o Pirata que não tinha Perna.

Quatro etapas para um apocalípse saudável (ou "Sessão Tribulação" ou ainda "Capitalismo: o gosto da vitória sobre" se preferirem)

1)

Miquéias é o cara que divide quarto comigo aqui na Casa do Estudante. Ele é um lesk parceiro que fecha junto, faz design também e não gosta de maçã. No episódio dramatizado a seguir, ele chega após um dia de trabalho, as 7:30 em casa:

Eu: Ae!
Miquéias: Opa!
Eu: Cara, escolhe: primeiro a notícia boa ou a notícia ruim?
Miquéias: Hm. A ruim.
Eu: Apareceu uma lagartixa aqui em casa. Eu arredei o sofá, a geladeira e o fogão tentando capturar ela, mas ela foi realmente rápida e se escondeu. Meu palpite é de que está vivendo agora dentro do motor da geladeira.
Miquéias: Eita! Não tem mais como pegar ela?
Eu: Nein, ela realmente sumiu.
Miquéias: Tá. E a notícia boa?
Eu: Já dei um nome pra ela: Aristóteles. Ela é agora nosso mascote oficial.

2)

Meu amigo, Phillip Willian Quitschal, mora em Guarulhos e teve o sonho mais legal que alguém na face da Terra já teve comigo. Foi mais ou menos assim:

Em 2010, a Terra foi varrida por uma tempestade de areia enorme. As cidades foram reduzidas a ruinas, tudo virou deserto. Esse meu amigo, Phillip, vagava sozinho após sobreviver à essa calamidade. Caminhou dias em meio às dunas até cair desmaiado. Acordou na casa de uma amiga sua, que discutia ferozmente com outro cara.

Nisso eu entro na casa. (Não tava no sonho, mas uma entrada muito discreta não deve ter sido) Após entrar, eu olho pra esse meu amigo, aponto para cima e exclamo:

"Ontem eu estava com azar, mas hoje estou com a camiseta vermelha! Você seria capaz de criar asas para sobreviver a esse deserto chinês comigo?"

Não sei que diabos isso significa, literalmente, mas eu gostei demais da frase. Estava precisando de um lema mesmo.

3)

Oi pessoas! Preciso comentar com vocês minha última e mais jóia aquisição: uma cadeira de escritório. Até então eu estava usando uma dessas cadeiras random de cozinha - e isso estava contribuindo para deixar minha coluna pior do que já é.

Eu: Alô, mãe?
Mãe: Bom dia, bom dia, bom dia!
Eu: Mãe, se eu gastasse cento e trinta reais numa cadeira de escritório, tu ficarai muito braba?
Mãe: Não, filho. Se tá precisando mesmo, vai lá e compra.
Eu: Tá certo então.

Não dou cento e trinta reais numa cadeira dessas nem a pau. Comecei minha estratégia de compra indo até as famigeradas lojas Colombo para pesquisar preço:

Atendente: Oi, bem vindo!
Eu: Olá, jovem! Eu gostaria de uma dessas cadeiras de escriórium.
Atendente: Ah. É pra jogar CS (vulgo Counter Strike) né seu safado!
Eu: Lol, não. Eu faço design, tenho que ficar muito tempo na frente dessa máquina infernal que é o computador e a cadeira que eu tenho me deixa triste se eu fico muito tempo sentado.
Atendente: Ah bom. Por que eu jogo CS, cara. Eu tenho um clã. Eu e mais doze caras, a gente joga e já ganhamos até um campeonato.
Eu: ... (em pensamento: "Informativo")
Atendente: Então siga-me até aqui no computador, vamos ver se temos cadeiras.
Eu: Beleza.
Atendente: Ó, uma dessas tá por 139 reais. Mais 20 de frete.
Eu: Caralho, que caro. Tem alguma opção mais barata?
Atendente: Bah, cara. Mais barato só se tu for na vendinha de móveis usados ali embaixo.

Saindo da loja, dirigi-me até a tal vendinha. Lá tinha uma cadeira igual por 80 reais - que consegui pechinchar por 70 alegando que teria que carregá-la até em casa. E enquanto a carregava, me senti triunfante e foda, por que paguei a metade do preço. Chupa, capitalismo.

Obs: diálogos transcritos literalmente sem alterações ou censura.

4)

Na minha próxima postagem, eu preparei uma surpresa pro final da tão comentada saga do pirata Venceslau que não tinha Perna. Sabem, postar no blog é algo que me deixa feliz, mas eu sempre acabo deixando pra segundo plano. Isso retarda o processo, isso vai contra o protocolo da vida.

Comprei uma agendinha, um bloquinho de anotações. Incrível como eu nao vivo mais sem isso. Logo na primeira página eu já escrevi "Posta algo lá no blog, caralho!" pra ver se eu não esqueço de fazer isso pelo menos a cada duas semanas. E acreditem, quanto mais eu posto aqui, mais eu me sinto capaz de enrolar em textos e relatórios pra faculdade. Parece uma habilidade adquirida inconscientemente.

Enfim, termino mais uma postagem com um apelo: comentem, meus jovens! Centenas de fãs vem até mim todos os dias pra falar como o blog está jovem e divertido - mas ninguem se digna a comentar. Triste, não?

Mas eu, como bom aprendiz das artes secretas do marketing, desenvolvi uma estratégia pra fazer vocês comentarem. É o seguinte: estou criando um personagem. É pra uma história bem bizarra que se passa a 150 mil anos atrás, numa civilização rica e avançada que foi destruída, aqui no nosso planeta. Esse personagem é uma espécie de revolucionário. É o "carinha fodão da história". Ele precisa de um nome,e é aí que vocês, amados leitores, entram: comentem ali dando uma sugestão de nome.

Restrições: precisa começar com "Q", mas sem ter o "u" em seguida, sacam? Algo como Qaechua, Qawahir, Qollstasis, algo assim. Sejam criativos =D

É isso, valeu pra quem acredita!